21/08/11

Parabéns Vascão, o Verdadeiro Clube do Povo!!!

O Remo era o esporte que mais atraia os jovens no final do Século 19, então 4 amigos trabalhadores (Henrique Ferreira Monteiro, Luiz Antônio Rodrigues, José Alexandre D’avelar Rodrigues e Manuel Teixeira de Sousa Junior) queriam praticar esporte no final de semana, foram de porta em porta tentar Remar nos Clubes Cariocas e foram impedidos, pq não eram de famílias nobres...  Depois de várias tentativas arrumaram um clube para treinar o “Gragoatá de Niterói” (O Gragoatá foi o 1º Campeonato do Rio de Janeiro de Remo, com a Baleeira Alpha, o Grupo de Regatas Gragoatá, fundado em 1895, deu origem a um dos maiores clubes do Brasil e do Mundo, ainda foi Campeão Carioca de Remo em 1900, 1904 e 1908 e a modalidade foi extinta do clube em 1963).

Sede da Sociedade Dramática Particular Filhos de Talma

Porém à distância e o custo com a Travessia Rio Niterói, os 4 amigos decidiram que era preciso fundar um clube no Rio de Janeiro onde todos pudessem praticar esporte, independentemente da sua Cor, Relegião ou da Classe Social, muito antes de escolherem um nome para o clube, um escudo e uma bandeira ficou decidido que esse novo clube teria que ser do Povo e para o Povo!!!!


Diferente do que se diz na imprensa, em nenhum momento se pensou em fundar um clube da Colônia A, B ou C, mas naquele ano se comemorava os 400 anos do grande feito do navegador Português Vasco da Gama, que representando o sonho e o ideal de uma nação, chegou as Índias em 1498 e levou Portugal a uma era de prosperidade sem precedentes na sua história, os 62 Fundadores não tiveram a menor dúvida, o nome do novo Clube Carioca será “Club de Regatas Vasco da Gama” fundado no dia 21 de Agosto de 1898.


Há de se destacar também que nesta Assembléia Geral, por proposta de José de Freitas, ficou-se decidido que sob nenhum motivo o Club de Regatas Vasco da Gama mudaria de nome ou de cores. Nos primeiros anos do clube, a Democracia se fez presente por ouvir as sugestões dos associados e apresentar os projetos dos primeiros símbolos: o uniforme, a bandeira e a flâmula.


Até 1915 enquanto Fluminense, Botafogo, Bangu, América e Flamengo já disputavam títulos no Futebol, o Vasco era um Clube de Remo, no dia 26 de Novembro de 1915 veio à fusão com o Luzitânia Futebol Clube (esse sim um clube da Colônia Portuguesa), foi criado o Departamento de Futebol do Vasco, mas o pessoal do Remo não aderiu facilmente a idéia, tanto que o Departamento de Futebol para se diferenciar do Remo, fez uma camisa diferente, toda preta sem a faixa diagonal usada pelos Remadores desde a fundação do Clube. Portanto, nossa camisa não foi inspirada em River Palte nenhum, eles foram fudados em 1901 e até 1907 usavam uma camisa toda branca sem a faixa e o 2º uniforme era listradro vermelho e branco, desde 1898 os Remadores do Vasco já usavam a Faixa Diagonal, pois no estatuto do nosso clube consta que no uniforme oficial devemos ter uma Faixa Diagonal Branca representando o Caminho Marítimo até as Índias, o Vasco é o Pioneiro no Mundo usando uma Faixa Diagonal na Camisa!!!


Essa vaidade acabou prejudicando os resultados no início do Futebol Vascaíno, em 1916 com um time formado por jogadores envelhecidos do extinto Luzitânia, junto com outros jogadores de última hora (cata-cata), sem o apoio do pessoal do Remo o Vasco estreou na 3ª divisão perdendo de 10x1 para o Paladino F.C., foi uma seqüência de Derrotas e empates até surgir a 1º vitória 2x1 contra o River F.C.,  em 1917 o Vasco derrotou o Paladino F.C 2 vezes e terminamos em 4º lugar, em 1918 terminamos em 3º, em 1919 o Futebol começava a ganhar força na cidade do Rio de Janeiro, em 1920 o Remo se uniu definitivamente com o Futebol e veio o 1º título no Futebol, em 1921 veio as primeiras vitórias contra os times que disputavam a Série A, em 1922 o Vasco conquista a Série B, em 1923 o Vasco chega e ganha a Série A dentro das Laranjeiras onde todos estavam unidos contra o Vasco (Flamengo, Fluminense, Botafogo, Arbitragem, Imprensa e etc...), a burguesia ficou furiosa, como pode um time da Zona Norte formado por Negros e Operários ganhar o Campeonato??? Então os Racistas e Aristocratas: Fluminense, Flamengo, Botafogo e América reuniram-se e deliberaram excluir jogadores humildes, sob a alegação de que praticavam o profissionalismo.

Numa sessão realizada na sede da Liga Metropolitana, o Sr. Mário Pólo presidente do Fluminense, com total apoio do Flamengo, Botafogo e América apresentou as condições impostas aos chamados pequenos clubes. Estes teriam que apresentar condições materiais e técnicas e eliminar de seus quadros sociais jogadores considerados profissionais. Resumindo: Eles queriam proibir os Negros e os Brancos Pobres (Filhos de Operários), após a recusa do Vasco, então a elite decidiu fundar uma Nova Liga (AMEA) Associação Metropolitana de Esportes Atléticos excluindo o Vasco da Gama. O Bangu representando pelo Sr. Ari Franco que na época também tinha alguns jogadores Negros no elenco a ex. do Vasco e São Cristóvão, porém o Bangu chamava os seus “Negros” de “Mulatinhos Rosados” e não de “Negros” o Bangu se une aos Racistas contra os jogadores Negros e vai jogar no Campeonato da Elite Branca, Mário Polo e seus comparsas calculavam que os chamados pequenos clubes ingressariam cabisbaixos e humilhados na nova entidade, submetendo-se às suas regras discriminatórias. Bangu e São Cristóvão, mas o Vasco não, o Presidente Vascaíno Dr. José Augusto Prestes e toda a Diretoria do Vasco, enfrentando com galhardia o Trio Racista da Zona Sul, enviou um Ofício para o Presidente da AMEA Sr. Arnaldo Guinle, declarando publicamente que se negava a participar da nova entidade. Esse documento histórico, transcrito abaixo, deu origem a extinção do racismo no Futebol Brasileiro:

Rio de Janeiro, 7 de abril de 1924
Ofício no. 261

Exmo. Sr. Arnaldo Guinle, M.D. presidente da Associação Metropolitana de Esportes Athleticos.

As resoluções divulgadas hoje pela imprensa, tomadas em reunião de ontem pelos altos poderes da Associação a que V. Exa. tão dignamente preside, colocam o Club de Regatas Vasco da Gama em tal situação de inferioridade que absolutamente não pode ser justificada nem pela deficiência do nosso campo, nem pela simplicidade da nossa sede, nem pela condição modesta de grande número dos nossos associados.

Os privilégios concedidos aos cinco clubes fundadores da AMEA e a forma como será exercido o direito de discussão e voto, e as futuras classificações, obriga-nos a lavrar o nosso protesto contra as citadas resoluções.  Quanto a condição de eliminarmos doze (12) jogadores das nossas equipes, resolve por unanimidade a diretoria do Club de Regatas Vasco da Gama, não a dever aceitar, por não se conformar com o processo por que foi feita a investigação das posições sociais desses nossos con-sócios, investigações levadas a um tribunal onde não tiveram nem representação nem defesa.

Estamos certos que V. Exa. será o primeiro a reconhecer que seria um ato pouco digno da nossa parte sacrificar ao desejo de filiar-se a AMEA alguns dos que lutaram para que tivéssemos entre outras vitórias a do Campeonato de Futebol da Cidade do Rio de Janeiro de 1923.  

São esses doze jogadores jovens quase todos brasileiros no começo de sua carreira, e o ato público que os pode macular nunca será praticado com a solidariedade dos que dirigem a casa que os acolheu nem sob o pavilhão que eles com tanta galhardia cobriram de glórias.
Nestes termos, sentimos ter de comunicar a V. Exa. que desistimos de fazer parte da AMEA.
Queira V. Exa. aceitar os protestos de consideração e estima de quem tem a honra de se subscrever de V. Exa. Att. Obrigado.

Dr. José Augusto Prestes
Presidente

O presidente do Vasco, em declaração pública, afirmou que só voltaria ao seio dos grandes clubes quando o Vasco fosse maior do que todos eles. Para tal coisa conseguir, o Vasco teria que construir um grande estádio, o maior da américa Latina na época. Não ganhamos o terreno da Prefeitura, nós compramos o Terreno de São Januário e construíamos o nosso Estádio sem 1 centavo do dinheiro público, coisa que muito clube que se diz popular por aí não conseguiu, não consegue e jamais conseguirá unir sua torcida para construir algo!!!

Hoje vemos a Rede Globo tentando de todas as maneiras sórdidas transformar o Racista Flamengo num clube do Povo e o mesmo ela tenta fazer no Estado de São Paulo transformando o inglês paulistano “Sport Club Corinthians Paulista” num clube Popular, nunca serão. Não sei o que é mais lamentável, ver um Negro torcendo para o Fluminense e fazendo questão de jogar pó de arroz na entrada do time ou ver um descendente Lusitano torcendo para o Flamengo e xingando os Portugueses nas ruas e Arquibancadas... A ingratidão é a marca dos covardes!!!

Cândido José de Araújo

Hoje alguns clubes batem no peito e dizem: “Olha nós tivemos jogadores negros antes de vocês”... Talvez seja verdade, mas na época eles eram registrados como “brancos, pardos, morenos e mulatinhos rosados”, até pó de arroz eles passavam nos rostos dos jogadores, para os mais esquecidos é sempre bom lembrar que em 1904 o Vasco da Gama teve um Presidente Negro, Candido José de Araújo foi o nosso 8º Presidente que foi reeleito até 1906, essa é a história do Vasco da Gama, o verdadeiro clube do povo, o que nos outros clubes eles chamam de Marketing, aqui no Vasco da Gama nós chamamos de História!!!

3 comentários:

d@n!£l disse...

MUITO BOM.
PARABÉNS

Fernanda disse...

a história do VASCO é muito linda, cada dia que passa tenho mais orgulho de ser Vascaína!!!

Daniel Dookie disse...

É por essa história e outras coisas que eu amo o Vasco. Infelizmente muita gente não conhece a história do Vasco, até mesmo uns que se dizem vascainos. Parabéns pelo post e pelo blog, ajuda difundir esse clube maravilhoso que é o Vasco da Gama

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